Paraná precisa ser passado a limpo

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A CPI da Corrupção na Assembleia Legislativa do Paraná ficou para depois, talvez para dia de São Nunca, mas isso pode representar uma mudança radical nas cadeiras do Poder Legislativo nas próximas eleições. Há tempos que a Casa de Leis parece ter um papel secundário e não se apresenta como um órgão de fiscalização, mas apenas referenda as leis que brotam do Poder Executivo. Enquanto isso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou segunda abertura de inquérito para investigar envolvimento do governador Beto Richa (PSDB) em supostas fraudes envolvendo a concessão de licenças ambientais no Porto de Paranaguá. 

Antes disso, o STJ já havia determinado abertura de inquérito contra o governador tucano na Operação Publicano. O principal delator do caso, o auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, afirmou entre abril e maio de 2015 – e recentemente endossou em audiências na Justiça Estadual em Londrina – que parte do dinheiro desviado abasteceu a campanha de reeleição do tucano, em 2014.Resultado de imagem para richa rossoni corrupção

O imbróglio não para por aí. Recentemente denúncias apontaram o envolvimento do chefe da Casa Civil do Governo Richa, Valdir Rossoni (PSDB) na Operação Quadro Negro, inclusive que o escritório de empresa laranja funcionava no mesmo endereço do escritório político do tucano. Fato é que a justiça bloqueou bens do ex-prefeito de Bituruna, Rodrigo Rossoni, que é filho de Valdir Rossoni. Rodrigo foi denunciado pelo Ministério Público (MP) por ter supostamente atuado para direcionar uma licitação para a reforma de uma escola na cidade.

Mas, os escândalos não param por aí. O nome de Beto Richa também apareceu na lista de Janot, que continha nomes de suspeitos envolvidos num dos maiores casos de corrupção do país: Construtora Odebrecht. O nome do governador paranaense surgiu em delações premiadas de executivos e ex-executivos da Odebrecht.

Se uma nova ação penal for aberta contra Beto Richa, a mesma deverá tramitar no STJ — que é a corte competente para julgar governadores. Ele já réu numa investigação de corrupção na Receita Estadual, oriunda da Operação Publicano, que, de acordo com o Ministério Público, causou prejuízo de R$ 2 bilhões ao tesouro paranaense.Já foi aberto um segundo inquérito para apurar fraudes no Porto de Paranaguá, Daqui a pouco o tucano pode pedir música no Fantástico.

Deixando o humor de lado, que é só o que nos resta num país de tantas mazelas, fica a pergunta: Até quando nossos deputados estaduais, que têm um custo alto, terão um papel figurativo? Quando irão tomar pé da situação e investigar essas séries de denúncias envolvendo o nome do governador? Será que os deputados estão lá para nos representar ou para aprovar projetos de lei oriundos do Palácio? Até quando poderemos contar apenas com os deputados que estão na trincheira da oposição?