Fenaj vai denunciar ações contra jornalistas para OEA e ONU

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Em fevereiro deste ano, o jornal “Gazeta do Povo” publicou uma série de reportagens afirmando que alguns juízes do Paraná haviam recebido “supersalários” e teve uma imensa repercussão. O que não se esperava era que os juízes movessem uma série de ações contra esses mesmos jornalistas, o que foi chamado pela Fenaj (Federal Nacional de Jornalistas) de assédio judicial e atentado à liberdade de imprensa. As ações somam R$ 1,3 milhão em pedidos de indenizações. Como os processos estão espalhados em diferentes municípios, cinco jornalistas que produziram o conteúdo têm sido obrigados a viajarem dias seguidos pelo Estado. Os jornalistas já viajaram de carro 6.200 km pelo interior do Paraná – o que equivale a duas vezes a distância, em linha reta, de Porto Alegre a Manaus.

Uma das reportagens revelou que, em média, cada promotor e procurador do Paraná recebeu R$ 101 mil em janeiro — valor bem acima do salário-base de um procurador, que é de R$ 30,4 mil.A reportagem também mostrou que cada membro do Ministério Público do Estado do Paraná recebeu, em média, R$ 507 mil (23% a mais). Os autores da série de reportagens são: Chico Marés, Euclides Lucas Garcia, Rogerio Waldrigues Galindo, Evandro Balmant e Guilherme Storck.

Os juízes afirmam que não se trata de intimidação, tampouco de ação coordenada, mas reportagem do Pragmatismo Político revelou um áudio de whatsapp, no qual a voz é identificada como sendo do presidente da Associação dos Magistrados do Paraná, Frederico Mendes Junior, que afirma que já tem pronto um modelo de petição para que cada juiz entre “individualmente” com ação judicial contra os cinco jornalistas. (ouca o áudio)

A Federação Nacional dos Jornalistas vai denunciar o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Organização dos Estados Americanos, e também vai procurar a ONU, Organização das Nações Unidas, para divulgar o que considera um risco à liberdade de imprensa no Brasil. (assista reportagem)

PRÊMIO - E esses mesmos jornalistas, que estão sendo condenados por trazer à público um assunto que é do interesse de todos, receberam o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa 2016. De acordo com a associação, a “escolha representa o apoio ao jornalismo de qualidade e à coragem da “Gazeta do Povo” ao abordar os privilégios injustificáveis autoconcedidos pelos magistrados e membros do Ministério Público paranaense”.

Com informações do Pragmatismo Político